Um dia aos olhos de um daltónico – Capítulo III

 

dUma folha em branco e uma caixa de lápis de cor são objetos que fazem parte de qualquer imaginário infantil.

Quem nunca pegou em coloridos lápis e deu “asas” à imaginação, rabiscando casas, animais, pessoas, super-heróis, jogadores de futebol, flores, naves espaciais…

Através do desenho, a criança naturalmente cria e recria formas expressivas onde integra a imaginação e a realidade fazendo com que o seu desenho seja um canal de comunicação entre ela mesma e o mundo exterior sem os obstáculos, regras e noções estéticas sociais que futuramente possa absorver.

Imagine um desenho de uma criança em que a cor verde é utilizada para pintar a areia da praia, a cor lilás para pintar o céu, a cor laranja para pintar a relva…

Se o apreciar com um olhar artístico, provavelmente irá pensar que esta criança é muito criativa e que no futuro provavelmente será um famoso artista plástico. Poderá até dar-lhe os parabéns e incentivá-lo.

Se o apreciar com um olhar mais crítico, provavelmente irá pensar que esta criança ainda não aprendeu as cores e que com a idade que tem já as deveria saber. Poderá até repreendê-lo.

Se o apreciar com um olhar mais atento, provavelmente irá equacionar que esta criança poderá sofrer de algum tipo de daltonismo, razão pela qual aparentemente utiliza lápis de cor que não correspondem às cores naturais das coisas que desenha.c

Coisas simples do quotidiano, como identificar um lápis de cor, vestir-se, comprar roupa, interpretar mapas e atravessar o semáforo podem tornar-se tarefas complicadas para quem tem daltonismo. A dificuldade de identificação de cores gera no dia a dia destes indivíduos desconforto e insegurança, podendo até comprometer o rendimento e a sua aceitação em situações de integração social, escolar e profissional.

Na escola nem sempre é fácil a vida de um pequeno daltónico. Quando a atividade que lhe é proposta implica uma decisão diretamente relacionada com a COR, ele certamente sente dificuldade e confunde-se. As aulas de geografia, de química, de expressão artística… poderão tornar-se verdadeiras “batalhas” uma vez que a COR é usada na abordagem de muitos dos seus conteúdos.

O daltonismo limita a aquisição de conteúdos prejudicando o rendimento escolar. Limita também a mobilidade, a autonomia…

Todos devem estar atentos e ser sensibilizados para esta incapacidade, nomeadamente os professores.

Cientes de todas estas premissas, as equipas responsáveis pelo projeto “Bibliotecas ColorADD”, do Agrupamento de Escolas de Mem Martins, e pelo Projeto “Somos Crianças”  , da Rede de Equipamentos Lúdicos da Divisão de Educação, da Câmara Municipal de Sintra, encontraram já uma forma simples e consensual de abordagem às vivências/ constrangimentos/ limitações que um daltónico sente no dia a dia.

Da criatividade e profissionalismo destas duas equipas, ninguém duvida e, fazendo jus ao tradicional dito que em anterior artigo foi já aqui publicado “Várias cabeças pensam melhor que apenas uma”, foram elaboradas três propostas de atividades em mais uma reunião entre os elementos envolvidos nesta parceria.

Atividade 1: “Pinta e desenha o que te peço!”

Atividade 2: “Como vê um daltónico?”

Atividade 3: “A COR é para TODOS!”

Um elemento de uma das equipas serviu de “cobaia” para realizar uma das propostas:

“Pinta e desenha o que te peço!”

lápis adulterados

Numa folha branca e recorrendo a vários lápis de cor, foi-lhe solicitado a representação simbólica através do desenho, de um porco cor-de-rosa, de um morango bem vermelho com verdes folhas, de uma árvore de tronco castanho, verde folhagem e suculentas maçãs vermelhas.

O resultado não podia ser melhor: a artística “cobaia” rabiscou um porco lilás, um morango bem castanho com laranjas folhas e uma árvore de tronco verde, roxa folhagem e suculentas maçãs laranjas.atividade 1

A “cobaia” foi surpreendida e os restantes elementos das equipas ficaram satisfeitas com o efeito e resultado desta simulação tantas vezes real para um daltónico (dificuldade na identificação correta dos lápis de cor).

Este efeito foi conseguido pela adulteração dos lápis de cor: O seu aspeto exterior, a cor do corpo dos lápis, não corresponde à real cor das minas: o lápis de cor vermelha, pinta de cor verde; o de cor verde, pinta de cor laranja…

O levantamento de material necessário para colocar em prática esta ambição comum e a responsabilidade de produção dos diferentes materiais, foi também definida nesta reunião. Ambas as equipas colocaram já “mãos à obra” para tudo estar pronto, o mais breve possível, para a renovada “Exposição Interativa – Somos Crianças 2013”.

Em março são abertas as marcações para as escolas poderem manifestar o interesse em ver dinamizada esta exposição nos respetivos estabelecimentos de ensino, e entre 16 de abril e 24 de maio, as técnicas de animação responsáveis pela sua dinamização, deslocar-se-ão às escolas que manifestaram o seu interesse aos Centros Lúdicos de Rio de Mouro ou das Lopas.

Contactos para marcação:

21 916 69 96 (Centro Lúdico de Rio de Mouro)

21 431 91 54 (Centro Lúdico das Lopas)

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